20 de dezembro de 2013

Mudança na produção reduz conflito com onças

A degradação das pastagens, associada a fatores de mercado, tem promovido a substituição do gado pela cana-de-açúcar em várias regiões.
 
Por De São Paulo

Com a chegada dos cultivos que servem de abrigo para a Fauna e a redução de conflitos com fazendeiros prejudicados pela perda de bezerros atacados por onças, uma nova realidade se instalou na convivência entre conservação e agronegócio. A questão se irradia para outras atividades produtivas, como a geração de energia. "Começaremos a monitorar onças-pardas no entorno dos reservatórios para entender essa relação", revela Sônia Hermsdorff, gerente de Meio Ambiente da AES Tietê.

O mapeamento vai abranger usinas Hidrelétricas em três bacias hidrográficas: a Usina de Promissão, na bacia do rio Tietê; a Usina Água Vermelha, no rio Grande, e a Usina de Caconde, no rio Pardo. O projeto, desenvolvido em parceria com o Instituto Pró-Carnívoros, tem o objetivo de gerar dados que sirvam de referência para o manejo e conservação da onça-parda também em outras regiões. O levantamento da Fauna de mamíferos é uma exigência do órgão ambiental para a renovação da licença das antigas Hidrelétricas.

"Predadores de grande porte, que estão no topo da cadeia alimentar e precisam de áreas maiores para sobreviver, são ótimos indicadores sobre a qualidade ambiental e a ideia é utilizá-los como ferramenta de conservação", explica Sandra Cavalcanti, pesquisadora do Pró-Carnívoros. Os biólogos estudarão como o animal utiliza os diversos ambientes. "No Estado de São Paulo, o mais rico e populoso do país, a vegetação nativa está bastante fragmentada e as onças se adaptam circulando entre plantações de cana e eucalipto."

No Pantanal, a convivência de onças com atividades produtivas é antiga e, ao longo do tempo, exigiu pesquisas e iniciativas capazes de tornar a relação menos conflituosa. Entre as medidas já testadas está a remuneração de produtores rurais que deixam de matar o animal como costumavam fazer para se proteger do prejuízo com a perda do gado. Atualmente, há projetos de aClimatação e adaptação dos felinos à presença de turistas, com objetivo de promover safaris e incentivar o ecoturismo.

No Mato Grosso do Sul, na planície pantaneira, propriedades rurais são alvo de pesquisas envolvendo também a arara-azul. O trabalho, conduzido há vinte anos pela pesquisadora Neiva Guedes promove Educação Ambiental e o manejo da espécie com a instalação de ninhos artificiais para a reprodução. "Hoje os fazendeiros pedem para participar do projeto e ter ninhos de arara-azul se tornou até uma questão de status", conta. Há duas décadas, existiam apenas 1,5 mil exemplares, hoje a população supera 4,5 mil.
 

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