16 de dezembro de 2013

Fotógrafo premiado registra abandono

Priscila Machado

  • Evandro Teixeira | Divulgação
    Cavalos circulam livremente pela região da lagoa todos os dias, enquanto frequentadores se banham
Em visita ao Parque Metropolitano do Abaeté, no último domingo, o premiado fotógrafo Evandro Teixeira, de 78 anos, ficou triste com o descaso que presenciou.

Ele, que trabalhou por 47 anos no Jornal do Brasil, é baiano, mas mora no Rio de Janeiro. Na última visita ao local, há 20 anos, Evandro conta que contornou, descalço, toda a lagoa com uma neta sem se preocupar com qualquer perigo.

Dessa vez, foi orientado por uma baiana a não se aproximar das dunas para evitar ser assaltado. "O guarda que passava pelo local me recomendou o mesmo", conta.

Por meio da arte fotográfica, que produz com mestria, Evandro retratou sua indignação. Não com imagens do caos, mas com cenas da beleza que ainda pode ser extraída da região. Beleza merecedora de um cuidado maior do governo, disse ele. "É um absurdo que um ponto turístico tão bonito, imortalizado nas canções de Caymmi e Caetano, esteja tão abandonado", protesta.

O conhecimento de outros pontos turísticos pelo mundo permite a ele estabelecer comparações: "Saint Tropez, balneário francês, não tem a mesma riqueza natural do Abaeté, mas é uma praia limpa e segura. O país sabe cuidar do patrimônio e torná-lo atrativo aos turistas", afirma.

Problemas

A falta de segurança foi recentemente denunciada em matéria de A TARDE, publicada em outubro. Conforme depoimento - publicado na reportagem - do comerciante Antônio Miguel, de 58, diretor esportivo do grupo ecológico Nativos de Itapuã, em um único dia ele contabilizou 28 assaltos nas dunas.

A TARDE também constatou problemas como ocupação irregular, depredação de quiosques e banheiros, redução do nível da lagoa e calçadas danificadas.

Policiamento

O comandante da 15ª Companhia Independente da Polícia Militar (15ªCIPM), major Borges, admite que o número de policiais é insuficiente para a extensão do parque.

O terreno é vasto, tem quatro saídas diferentes: pela Alameda das praias (que dá acesso à praia de Stella Maris), pela avenida Dorival Caymmi, pelo jardim Encantamento e pela Pedra do Sal.

De acordo com informações fornecidas pela 15ªCIPM, uma dupla faz o policiamento entre as 7h e as 19h; das 19h às 23h, uma viatura com três policiais permanece no local; e, das 23h às 7h, uma viatura apenas circula na região.

Ainda conforme o major Borges, três PMs trabalham montados entre 8h e 22h. No fim de semana passado, a Operação Verão ampliou o quadro com uma viatura, uma moto e três cavalos.

Segundo o delegado Antônio Carlos Magalhães, titular da Delegacia de Itapuã (12ª DT), uma média de 60 a 100 ocorrências são registradas no bairro, diariamente.

Baiana de acarajé recorda dos bons tempos vividos na infância

A baiana de acarajé Zildélia Conceição, a Deca, de 58 anos,  que orientou o fotógrafo quanto à falta de segurança nas dunas, conta que sente saudade dos tempos de menina. Período em que não havia canto da reserva que ela não explorasse. “Eu percorria essas dunas todas, presenciava lugares belíssimos, escondidos mata a dentro”, diz.
Desde os 12 anos, Deca trabalha vendendo os quitutes de azeite. Mas, nos fins de semana, ela já teve o prazer de assistir a shows de Caymmi e Clara Nunes.
Era também na lagoa que ela lavava as roupas próprias e as de ganho (por encomenda). Mas, atualmente, as travessuras, os shows com grandes atrações e o trabalho de lavadeira alimentam apenas as suas recordações.
“Há três anos não vejo uma reforma aqui. A última foi para consertar um quiosque. Os outros continuam caindo aos pedaços”, lamenta.
Ainda conforme Deca, em frente ao espaço onde monta o tabuleiro há um buraco enorme. E há apenas duas lavadeiras na lavanderia, pois os cavalos sujam as roupas estendidas. “Lutamos por um réveillon, por intervenções culturais, mas a região está esquecida”, diz.
Inema

Segundo a coordenação de gestão de unidade do Instituto do Meio Ambiente (Inema), há um projeto de revitalização do local ainda em fase de elaboração interna. O investimento anual do governo estadual é destinado ao serviço de limpeza, segurança patrimonial e pagamento de contas de água e luz.

FONTE: JORNAL A TARDE

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