18 de dezembro de 2013

Brasil já tem as peças para produzir o satélite Cbers-4, diz ministro


Paulo Bernardo afirmou que país quer antecipar lançamento do equipamento. No dia 9, falha impediu Cbers-3 de entrar em órbita.
 
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse, nesta terça-feira (17) que o Brasil vai tentar antecipar, de 2015 para 2014, a nova tentativa de lançamento de um satélite da linha Cbers, projeto que o país divide com a China.

Na semana passada, uma falha no foguete lançador impediu que o Cbers-3, quarto satélite feito por cientistas chineses e brasileiros, entrasse em órbita.

De acordo com o ministro, que esteve na China para acompanhar o lançamento, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já tem todas as peças e depende de um acordo com os chineses para fazer a montagem do novo satélite.

O Cbers-3 foi lançado no último dia 9, mas uma falha em um dos estágios do foguete chinês Longa Marcha 4B prejudicou o equipamento, que não alcançou velocidade e altura suficientes para orbitar a Terra e, por isso, retornou ao planeta e foi destruído ao entrar na atmosfera – uma perda de R$ 160 milhões para o Brasil.

O fracasso do lançamento foi confirmado por técnicos chineses. O equipamento foi projetado com quatro câmeras, de diferentes resoluções e capacidade de captação, que seriam responsáveis por coletar imagens com maior qualidade de atividades agrícolas e contribuir com o monitoramento da Amazônia, auxiliando no combate de possíveis Desmatamentos ilegais e Queimadas – foco de projetos ligados também ao Ministério do Meio Ambiente, como o Prodes e o Deter.

Programa Espacial trabalha com novas metas
Após a falha, o adiantamento da produção do Cbers-4 e a conclusão do foguete lançador brasileiro, o VLS, serão os carros-chefes do Programa Espacial Brasileiro.

Segundo especialistas ouvidos pelo G1, a imagem do programa espacial nacional não ficou manchada após o episódio. De acordo com Petrônio Noronha de Souza, diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB), "é um problema a ser contornado e o programa brasileiro não se restringe apenas ao acordo com a China".

Os projetos serão realizados com a verba repassada pelo governo à AEB. A previsão para 2014 é de orçamento de R$ 295 milhões, valor apresentado na Lei Orçamentária Anual que ainda segue em discussão no Congresso.

Em 2013, o montante destinado ao desenvolvimento do lançador de foguetes e a produção e pesquisa de novos satélites no Inpe foi de R$ 345 milhões.

Comparativamente, o dinheiro destinado em 2013 à agência espacial americana, a Nasa, principal hub aeroespacial do planeta, foi de R$ 41,2 bilhões. A agência chinesa, que vem ganhando destaque nos últimos tempos com megaprojetos, como uma estação espacial própria, investiu neste ano o montante de R$ 4,6 bilhões.

A Índia, outro país que luta para combater a pobreza ao mesmo tempo em que almeja consolidar-se como potência global, investiu R$ 2 bilhões em seu programa espacial.

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