18 de dezembro de 2013

Brasileiros descrevem nova espécie de anta


Mamífero já era conhecido por moradores da Amazônia pelo nome anta-pretinha
 
Para alguns moradores da Amazônia, ela é conhecida só como anta-pretinha. Agora, o bicho ganhou um nome em latim só seu --Tapirus kabomani--, tornando-se a mais nova espécie de grande mamífero brasileiro a ser reconhecida pela ciência.

A T. kabomani, descrita em estudo coordenado por Mario Cozzuol e Fabrício Santos, da UFMG, tem pelagem mais escura e é menor do que as antas mais comuns no Brasil (daí o apelido popular).

Há ainda diferenças em detalhes do esqueleto e no genoma do bicho. No conjunto, explica Santos, os dados são suficientes para classificar a anta como espécie distinta.

Uma pista importante, diz ele, é que a "pretinha" vive perto de suas parentes maiores, mas os dados de DNA mostram uma árvore genealógica na qual "pretinhas" se agrupam com "pretinhas", o mesmo acontecendo com as antas mais conhecidas, da espécie Tapirus terrestris.

A nova espécie já tem presença confirmada em Rondônia, no Amazonas, em Mato Grosso e na Colômbia, mas pode ter distribuição mais ampla. Segundo Cozzuol, parece ser um bicho que prefere viver na fronteira entre a mata fechada e áreas abertas.

Um detalhe da descoberta é que se trata de uma bola cantada há muito tempo. Em 1913, membros de uma expedição comandada pelo ex-presidente americano Theodore Roosevelt e pelo militar brasileiro marechal Rondon abateram uma anta suspeita.

Tratava-se de "um macho, já adulto, mas muito menor do que o animal que eu tinha matado antes. Os caçadores disseram que ele era de uma variedade diferente", escreveu o próprio Roosevelt em seu livro sobre a jornada.

Esse exemplar, enviado pelo ex-presidente ao Museu Americano de História Natural, foi examinado no estudo e, de fato, tem todas as características da nova espécie.

"É o que costuma acontecer com bichos maiores. Às vezes ninguém se dá conta de que pertencem a uma espécie diferente", diz Cozzuol.

Para ele, o achado mostra a importância de incorporar o conhecimento tradicional aos estudos científicos. A pesquisa, publicada no "Journal of MaMMAlogy", tem apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

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