19 de abril de 2013

Sindicatos: entidades de pesquisa podem entrar em colapso por falta de pessoal

Representante de trabalhadores informa que metade dos servidores da carreira de ciência e tecnologia tem mais de 50 anos e está prestes a se aposentar.
Arquivo/ Leonardo Prado
Izalci
Izalci criticou a ausência de representantes do Ministério do Planejamento no debate.

O representante do Fórum Nacional das Entidades Sindicais da Carreira de Ciência e Tecnologia, Ivanil Elisário, destacou, nesta terça-feira (16), que instituições de pesquisa brasileiras estão próximas de um colapso e podem em breve não ter mais condições de funcionar, por conta da falta de pessoal especializado. Em debate promovido pela Frente Parlamentar de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação, ele afirmou que pelo menos 50% dos servidores dessa carreira têm hoje mais de 50 anos e estão próximos da aposentadoria.
Segundo Elisário, não há política de recomposição dessa mão de obra. “Os concursos são irregulares e não há investimento consistente no desenvolvimento científico”, declarou. Ele defendeu que o governo estabeleça com urgência uma política de reposição e expansão do quadro de servidores que viabilize aos institutos continuar suas atividades. O sindicalista também salientou a importância de transmitir o conhecimento dos atuais cientistas para os novos. O debatedor ressaltou que a formação na carreira científica é longa, exigindo, em geral, pós-graduações determinadas. “O cientista não sai pronto da universidade, necessita de formação específica”, observou.

Casos graves
Elisário citou o caso do Departamento de Ciência e Tecnologia Aerospacial, responsável, por exemplo, pelo Centro de Lançamentos de Alcântara e pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). O departamento tinha 2.020 servidores em 2011. Em 2020, a previsão é que sejam apenas 890. “O quadro de pessoal poderá ser reduzido em 44%”, enfatizou.


O representante do fórum também considerou grave o caso do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), cujas atribuições incluem a condução do programa espacial brasileiro, a previsão do tempo e os satélites que vigiam as fronteiras do País. Conforme Elisário, o Inpe foi auditado recentemente pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por conta do excesso de contratações temporárias. “A situação está obrigando o Ministério do Planejamento a fazer novas contratações para o órgão”, disse. O TCU alertou para o envelhecimento da força de trabalho do Inpe e o risco de extinção de competências técnicas nos próximos anos. Até 2016, metade dos servidores estará em condições plenas de se aposentar.

Outro caso citado foi o do Instituto de Pesquisas Nucleares (Ipen), que atua na produção radiofármacos e radioisótopos para aplicação médica. O Ipen atende à demanda de 335 hospitais e clínicas em todo o território nacional. O instituto perdeu 311 profissionais nos últimos 19 anos, o equivalente a 29% do quadro, e a queda no número de servidores deve se acentuar, devido ao alto número de pessoas que vão se aposentar compulsoriamente, por terem mais de 70 anos. Conforme Elisário, para reverter o desmonte, seria preciso contratar pelo menos 1 mil profissionais nos próximos anos.

Bolsas de estudo
O representante do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Adalberto Fazzio, afirmou que o órgão está ciente do problema e desenhou uma estratégia nacional para combatê-lo. “A falta de mão de obra qualificada é grande no País”, disse. Ele apontou especialmente a carência de pessoas formadas em engenharias e informou que, desde 2011, já existe política do governo de concessão de bolsas de estudos para estudo de engenharia em universidades estrangeiras, por meio do programa “Ciência sem Fronteiras”.


Na opinião do presidente da frente parlamentar, deputado Izalci (PSDB-DF), o grande desafio do programa é trazer de volta os beneficiários ao Brasil. Ele destacou a ausência do Ministério do Planejamento no debate de hoje, apesar do convite. “O ministério tem papel primordial na recomposição de pessoal nos órgãos”, salientou. “Temos problemas imediatos para resolver, como a abertura de concursos”, complementou. De acordo com o parlamentar, o colegiado vai pressionar o governo para resolver a questão.

Reportagem – Lara Haje
Edição – Marcelo Oliveira

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