22 de novembro de 2013

Pesquisadores da Coppe monitoram litoral sul da Bahia

 


Pesquisadores da Coppe monitoram litoral sul da Bahia
[05/11/2013]
 
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Gerar mapas de sensibilidade ambiental para ecossistemas costeiros do sul da Bahia e entender a dinâmica marinha frente a cenários de mudanças climáticas na região. Esse é o trabalho realizado por pesquisadores do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da Coppe/UFRJ, no âmbito do Projeto Japi, que acompanham as atividades de avaliação, pela Queiroz Galvão Exploração e Produção, de um bloco de gás natural a poucos quilômetros da costa dos municípios de Belmonte, Canavieiras e Una, no Sul da Bahia.
Batizado em homenagem a uma ave comum na região, o Projeto Japi, desenvolvido em parceria com o Núcleo de Estudos Ambientais (NEA) do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia, revela a dinâmica da sensibilidade ambiental dos ecossistemas da região, um dos mais ricos do país, proporcionando maior capacidade e agilidade no processo de monitoramento, prevenção e mitigação de acidentes ambientais. O projeto abrange uma área de 2.507 km2, dos quais 1.782 km2 são de superfície marinha.
O local serve como rota migratória para algumas espécies de baleia, como a franca e a jubarte, e botos são vistos frequentemente nos baixos cursos dos rios. Os ambientes de manguezais, restingas e coqueirais se alternam ao longo da faixa litorânea, cuja linha de costa tem cerca de 95 km de extensão.
Até o momento a empresa investiu no projeto cerca de R$ 4 milhões, contemplando a aquisição de plataformas de coletas de dados, imagens de satélites, campanhas de campo e pesquisas laboratoriais.
Levantamento aponta direção e intensidade de ventos, correntes e ondas
O trabalho vem sendo realizado desde junho de 2011 por uma equipe multidisciplinar da Coppe formada por engenheiros, geógrafos, oceanógrafos e meteorologistas. “Estamos levantando dados sobre a direção e intensidade dos ventos, de correntes, ondas e sobre a vazão fluvial da região, onde desaguam os rios Una, Pardo e Jequitinhonha”, explica o professor Luiz Landau, coordenador geral do projeto.
Para elaborar os mapas, os pesquisadores fizeram a caracterização física da costa da região a partir de imagens obtidas por satélites e utilizaram modelos computacionais, atmosféricos e hidrodinâmicos. Segundo Luiz Paulo Assad, coordenador técnico do Núcleo de Modelagem Ambiental do Lamce, a experiência acumulada pelo Laboratório em trabalhos anteriores voltados para o monitoramento ambiental de atividades petrolíferas no Norte do país contribuiu muito para os estudos que estão sendo realizados no Sul da Bahia.
Conhecimento integral do ambiente
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Algumas praias da região já foram reconhecidas pelo Ministério do Meio Ambiente como locais de desova esporádica ou secundária de algumas espécies de tartaruga marinha. Em junho de 2006 foi criada a Reserva Extrativista de Canavieiras (Resex de Canavieiras), com o objetivo de garantir a manutenção dos recursos naturais às comunidades locais.
Os pesquisadores também estudaram a economia local, onde a atividade pesqueira tem grande importância. “Há na região dezenas de colônias e associações de pescadores, o que aumenta a pressão sobre a indústria petrolífera por maior zelo no local e sobre o governo por maior proteção legal através da criação de unidades de conservação”, afirma Adriano Vasconcelos, responsável pela parte de sensoriamento remoto e sensibilidade ambiental do Projeto Japi.
“Para uma região de natureza ímpar como o Sul da Bahia, que recebe grande fluxo de turistas e tem entre suas atrações a pesca esportiva e extensas praias, é fundamental conhecer suas características. Esse é o maior legado desse projeto”, afirma Adriano.
Mudanças climáticas: Alterações na Circulação Marinha
Os estudos realizados pelos pesquisadores do Lamce também permitiram traçar cenários que consideram os efeitos das mudanças climáticas na região. Com relação à circulação marinha, os resultados identificaram para os próximos 100 anos uma possível diminuição do nível do mar na região estudada.“Estamos olhando para o que ocorre hoje, mas também já começamos a estudar o que pode acontecer daqui a 50 ou 100 anos”, explica Luiz Paulo Assad.
A primeira etapa do projeto, iniciado em junho de 2011, será concluída no final de 2013. O Lamce entregará o mapa de sensibilidade ambiental da região. Com isso, a empresa terá um instrumento estratégico para elaborar e gerenciar táticas operacionais em momentos de situação de emergência. Os resultados do estudo desenvolvido serão disponibilizados às comunidades locais.
Uma segunda fase do trabalho, cujo objetivo é a aquisição de dados para melhorar a capacidade de previsão dos modelos computacionais, iniciada em novembro de 2012, deve se estender até maio do ano que vem. Há possibilidade de renovação do contrato com a Coppe para dar continuidade aos estudos.
 


http://www.planeta.coppe.ufrj.br

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