22 de abril de 2013

Baleias jubarte precisam de mais áreas protegidas no litoral brasileiro


Um estudo produzido por pesquisadores do Instituto Baleia Jubarte (IBJ) e publicado na revista científica Ocean & Coastal Management mostra que a população de baleias na costa brasileira está em recuperação, mas ainda faltam áreas protegidas para garantir a conservação da espécie. 

Os pesquisadores sobrevoaram a costa brasileira e mapearam as populações de baleias e os possíveis conflitos com atividades humanas. Nesse primeiro estudo, são analisados dados de 2000 a 2003, entre Bahia e Espírito Santo. No final do ano, os pesquisadores devem publicar novos dados, ampliando a área do estudo desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte, com dados mais atuais. 

De acordo com Márcia Engel, presidente do IBJ e uma das autoras do estudo, há atualmente cerca de 14 mil baleias jubarte. “As baleias passam por um processo muito bonito de recuperação. Elas estão repovoando a costa brasileira, onde foram quase dizimadas”, diz. O principal responsável por essa recuperação é o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, uma área de mais de 90 mil hectares na Bahia que protege recifes de corais, peixes e baleias.

As jubarte buscam essa região para se reproduzir. Em Abrolhos, elas têm tranquilidade para ter seus filhotes. Mas ao sul do parque marinho, área também importante para a reprodução das baleias, não há nenhuma proteção. “Nessa área há muito conflito com a atividade humana. As baleias são atropeladas por embarcações, passam por áreas de pesca ou de exploração de petróleo”, diz Márcia.

Algumas medidas já foram tomadas para evitar esse conflito. Em uma delas, por exemplo, um grupo de ONGs fez parcerias com as empresas da região. Essas empresas se comprometeram a mudar as rotas dos seus navios, evitando colisões. Desde a mudança de rotas, em 2002, nenhuma baleia foi atropelada em Abrolhos. Apesar disso, ainda há ameaças, principalmente por conta das plataformas de petróleo, e ambientalistas pressionam para que o governo não crie blocos de exploração de petróleo em regiões muito próximas de Abrolhos.

Para Márcia, a melhor forma de manter a população de baleias em recuperação é a criação de um mosaico de unidades de conservação na região. A ideia é ampliar o parque marinho e proteger a área ao sul de Abrolhos, que tem alta concentração de baleias. A proposta foi entregue ao Ministério do Meio Ambiente, mas até hoje não foi levada adiante.

Foto: Enrico Marcovaldi/Instituto Baleia Jubarte
(Bruno Calixto)

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