3 de outubro de 2014

Começou a temporada reprodutiva das Tartarugas marinhas

Cerca de 1200 pessoas, a maioria moradores das comunidades costeiras, participam da proteção das tartarugas marinhas, melhorando as condições do seu habitat e reduzindo a pressão humana sobre as espécies. 

Como se repete todos os anos, a partir de setembro tartarugas marinhas vindas de várias partes do mundo começam a chegar ao litoral brasileiro para fazer ninhos nas praias onde nasceram e se reproduzir. Até março, o litoral se transforma num verdadeiro berçário a céu aberto de milhares de filhotes de tartarugas.

Para garantir o sucesso da temporada reprodutiva 2013-2014, equipes do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação das Tartarugas Marinhas (Tamar), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), já estão a postos em vários locais do litoral.
Os monitores são treinados para proteger as tartarugas e reduzir os impactos sobre as cinco espécies que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção.
Os gestores do Tamar lembram que a participação e o apoio das pessoas que utilizam as praias onde as tartarugas desovam são fundamentais para o sucesso do programa de conservação. Por isso, os pesquisadores realizam constantemente atividades de sensibilização e educação ambiental.
Cuidado redobrado

De setembro a março, o cuidado com as tartarugas é redobrado após meses de análise de dados, reorganização de materiais, procedimentos e renovação da força de trabalho. É tempo delas recomeçarem a depositar cerca de 120 ovos por ninho, com uma média de três a cinco ninhos por fêmea, a depender da espécie. Em mais ou menos dois meses, os filhotes brotam das areias e seguem para o mar, restabelecendo o ciclo da vida.
Na temporada anterior (2012-2013), o Tamar protegeu em 1.100 quilômetros de praias, mais de 24 mil ninhos no continente e nas ilhas oceânicas. Foram mais de 3 mil flagrantes de fêmeas no momento da desova e foram levados ao mar em segurança mais de 1,5 milhão de filhotes ( Leia matéria  Temporada reprodutiva de tartarugas marinhas bate recorde)
"Tartarugadas"

As equipes já estão preparadas para as "tartarugadas", como chamam carinhosamente o monitoramento noturno das praias. Reorganizaram o material de campo e promoveram eventos junto às comunidades que vivem no entorno das áreas de desova.
Já são mais de 100 ninhos em Pirambu (SE), mais de 40 em Ponta dos Mangues (SE) e quase 200 no Abaí (SE). Uma roda de capoeira foi formada na praia, em Pirambu, no primeiro dia de setembro, para saudar as tartarugas.
No final de outubro começarão a nascer as tartaruguinhas na Praia do Forte, no litoral da Bahia. As equipes começaram os preparativos para o monitoramento noturno, as visitas nos condomínios, as vistorias de iluminação, a capacitação de funcionários de empreendimentos turísticos e comerciais. Em Arembepe, no Sítio do Conde e na Costa do Sauípe, já existem mais de 100 ninhos.

Identificação e biometria

As equipes de campo identificam rastros de subida e descida das fêmeas, sabem como encontrar, marcar ninhos e medir profundidade e formato, identificar as espécies, realizar biometria, entre outras tarefas fundamentais para o programa de conservação.
A base de Comboios, no Espírito Santo, já registrou quatro desovas no mês de agosto, sendo a primeira no dia 10. A expectativa é que as tartarugas de couro (Dermochelys coriacea) repitam o aumento do número de ninhos da temporada passada.

O trabalho no litoral do Estado do Rio de Janeiro envolve capacitação de equipes, palestras para moradores das comunidades, pescadores, órgãos do governo e outros colaboradores do Tamar/ICMBio na região da Bacia de Campos.
No Rio Grande do Norte, mais precisamente onde está localizada a base de Pipa, as tartarugas chegam no mês de novembro. Pesquisadores já intensificaram o trabalho de educação ambiental com os estudantes do ensino fundamental de escolas públicas localizadas no entorno da base e já estão preparados para o período de desovas.

Comunicação ICMBio – (61) 3341-9280 – com informações do Tamar/ICMBio

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo Projeto Tamar

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