29 de julho de 2013

Pequenos agricultores recebem para conservar no sul da Bahia

Pequenos agricultores recebem para conservar no sul da Bahia

BRUNO CALIXTO
26/07/2013 14h25
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A agricultora Valdete do Nascimento mostra área recuperada por projeto de pagamento de serviços ambientais na APA do Pratigi, no sul da Bahia (Foto: Divulgação)

A Área de Proteção Ambiental (APA) do Pratigi é um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica do sul do Bahia. Dos cerca de 80 mil hectares da APA, 30 mil ainda mantêm a cobertura florestal intacta. Além disso, a área tem praias, rios e nascentes que garantem o abastecimento de água em cinco municípios da região. Para manter a região preservada, um projeto está tentando convencer os agricultores a conservar, usando para isso o mecanismo de Pagamento por Serviços Ambientais

O Pratigi é uma APA, uma categoria de unidades de conservação que permite a presença de atividade econômica dentro da região, desde que sustentável, e abriga muitos pequenos agricultores. No entanto, segundo Volney Fernandes, da Organização de Conservação da Terra (OCT), ainda há muita pressão para desmatar. Por isso, a organização decidiu trabalhar junto com os agricultores para tentar conservar a região.
"O projeto não é só ambiental. Tem um foco muito forte nos agricultores. Trabalhamos para que eles possam ser inseridos no mercado e melhorem a renda de suas propriedades", diz Fernandes.

A ideia é remunerar pequenos produtores que se comprometerem a conservar matas, nascentes e adotar práticas agrícolas sustentáveis. Para isso, o projeto trabalha com a compensação de emissões. Empresas ou pessoas físicas podem calcular o quanto emitiram de gases de efeito estufa e quanto reais seriam necessários para compensar essas emissões, usando esse recurso para financiar os agricultores.

Mas os agricultores também precisam cumprir com a sua parte. Eles passam por processo de orientação para adotar boas práticas, precisam fazer a regularização ambiental e não podem usar práticas agícolas nocivas, como as queimadas. O resultado é que, até o momento, 480 hectares de florestas foram conservados, 155 hectares foram recuperados e 97 nascentes estão protegidas.

O projeto ainda é pequeno, mas é mais um exemplo das várias tentativas de usar mecanismos de pagamentos por serviços ambientais no Brasil. Atualmente, vários projetos semelhantes tentam incentivar boas práticas agrícolas por meio de pagamento de serviços ambientais em Estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, entre outros.

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