9 de dezembro de 2013

Tubarões-limão voltam ao local onde nasceram para se reproduzir

Tubarões-limão voltam ao local onde nasceram para se reproduzir

Para pesquisadores, novidade fortalece o argumento de que é necessário restringir a pesca destes animais em locais específicos

O GLOBO 

CHICAGO (EUA) - A ideia de que não há lugar melhor do que nossa própria casa parece que também vale para os tubarões. Uma pesquisa feita pelo pelo Field Museum of Natural History, em Chicago, nos Estados Unidos, encontrou evidências de que as fêmeas dos tubarões-limão retornam para os locais em que nasceram para se reproduzir. No estudo, foram rastreados por 17 anos alguns animais que vivem em Bahamas.

Os resultados, divulgados pela na BBC, mostraram que, ainda que esta espécie seja altamente migratória, as fêmeas grávidas preferiam dar à luz onde elas mesmas nasceram. Para os pesquisadores, essa conclusão fortalece o argumento de que é necessário restringir a pesca dos tubarões em alguns lugares específicos.
A ideia de retorno das fêmeas para a reprodução tem sido observada em outras espécies marinhas, como salmão e tartarugas marinhas. Neste novo trabalho, os pesquisadores analisaram os tubarões-limão por volta das Ilhas Bimini.

Como as fêmeas de tubarões-limão amadurecem devagar, os cientistas precisaram de um longo tempo para provar que elas estavam retornando pra casa para se reproduzirem.

Entre 1995 e 2012, foram implantadas redes e tags de identificação que mediram e colheram amostras genéticas de cada tubarão capturado.

Pelo menos seis fêmeas voltaram para dar a luz quando eles tinham entre 14 e 17 anos. Embora a amostra ainda seja pequena, este número representa 75% dos tubarões-limão fêmea que sobreviveram entre o grupo estudado. “A questão é que nem tantos bebês vão virar adultos. Das duas centenas de tubarões que avaliamos, apenas cerca de uma dúzia alcançou esta fase adulta. Então, o fato de termos achado seis nessas condições foi significativo”, disse Kevin Feldheim, um dos autores que lideraram a pesquisa.


URL: http://glo.bo/1e0vL5Y
Notícia publicada em 6/12/13 - 18h37 Atualizada em 6/12/13 - 18h54 Impressa em 09/12/13 - 09h41

OUTRAS INFORMAÇÕES:

Tubarão-limão - Negaprion brevirostris


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Foto: Banco de Imagens Instituto Baleia Jubarte/Enrico Marcovaldi

A espécie ocorre em águas tropicais sobre a plataforma continental e insular, geralmente associado a ambientes recifais. Habita águas rasas de baías, enseadas, regiões coralíneas e estuarinas, podendo penetrar em águas de baixa salinidade. É encontrado desde a superfície até profundidades de cerca de 120 m.

Caracterizada pelo tamanho da segunda nadadeira dorsal, quase tão grande quanto a primeira, e pelo focinho curto e arredondado em vista dorsal. Apresenta coloração uniforme, variando entre cinzento e amarelado, com ventre mais claro, e os jovens possuem tons esverdeados que lhes conferem o nome de tubarão-limão. Atinge tamanho máximo em torno de 3,4 m, com machos amadurecendo com 2,2 m e fêmeas com cerca de 2,4 m; o tamanho no nascimento é de 60 a 65 cm.

A reprodução se dá por viviparidade placentária, com número de embriões variando entre 4 e 17, o período de gestação entre 10 e 12 meses. Alimenta-se de peixes ósseos, mas também de crustáceos e moluscos (ROSA; GADIG, 2008).
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MACHADO et al., 2005
GRUPO Peixes Cartilaginosos
ESPÉCIE Negaprion brevirostris Poey, 1868
NOME VULGAR Tubarão-limão; Papa-areia
FATORES DE AMEAÇA Caça/Captura excessiva, perda/degradação de habitat, perturbação humana.
BIOMA Marinho
PLANO DE AÇÃO PAN Tubarões e Arraias (previsto para 2013) PAN Manguezais (previsto para 2013)
CENTROS DE PESQUISA
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO - Rebio do Atol das Rocas¹ (RN);

- Parna Marinho de Fernando de Noronha¹ (PE);

- Parna Marinho dos Abrolhos¹ (BA).
REFERÊNCIAS - MACHADO, A. B. M; MARTINS, C. S.; DRUMMOND, G. M. (eds). Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção: Incluindo as Espécie Quase Ameaçadas e Deficientes em Dados. Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas, 2005. 160 pp. - ¹NASCIMENTO, J.L.; CAMPOS, I.B. (orgs.). Atlas da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção em Unidades de Conservação Federais. Brasília, DF: ICMBio, 2011. 276 pp.
- ROSA, R. S.; GADIG, O. B. F. Isogomphodon oxyrhynchus (Müller & Henle, 1839). In: MACHADO, A. B. M; DRUMMOND, G. M.; PAGLIA, A. P. (eds). Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Volume II. 1.ed. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente, 2008. p. 22 - 23.
 

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