15 de outubro de 2012


De pomba a saco plástico: tudo que é encontrado no estômago dos tubarões brasileiros

Pesquisador estuda os animais por dentro para descobrir seus hábitos alimentares

Denise Dalla Colletta

Editora Globo
Tubarão capturado em navio pesqueiro (arquivo pessoal)
O oceanógrafo Teodoro Vaske Jr passou os últimos 17 anos de sua vida estudando os hábitos alimentares de tubarões azuis no litoral brasileiro. Em 1992, começou a viajar junto a grandes barcos pesqueiros – os atuneiros – para resgatar em alto mar o estômago dos animais presos nas redes dos pescadores. Os tubarões são pescados, principalmente, para virar uma sopa de barbatana, muito apreciada na China.
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Duzentos e vinte e dois estômagos depois, deu pra ver que a última coisas que eles gostam de comer é gente. “A dieta é basicamente composta de peixe e lula, pesquisei a as diferenças na alimentação entre os animais do nordeste e sudeste”, diz Vaske. “Também encontrei mamíferos marinhos, aves marinhas, alguns tunicados e até uma pomba perdida em um tubarão a 120 milhas da costa”. O pesquisador também encontrou muito lixo. “Encontrei sacos plásticos, caixas de papelão, madeira, batata, cebola, alho, pêra, abacaxi, laranja, maçã, ossos de galinha, arame, pano, fios de náilon e anzóis”, diz.
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Pesquisador recolhendo o conteúdo estomacal dos tubarão (Arquivo pessoal)
No entanto, o lixo de volume pequeno no estômago não é tão prejudicial para esses animais quanto é para as tartarugas marinhas, que podem até morrer . “Estes objetos podem causar desconforto nos tubarões. O que pode causar a morte, é eles se enroscarem em plásticos e fios e serem estrangulados”.

O resultado da pesquisa de pós-doutorado do oceanógrafo pela UNESP confirmou que apenas 7% das presas dos tubarões do Nordeste são iguais as do Sul e Sudeste. “No geral, o alimento é lula e peixe, mas as espécies mudam, encontramos animais raros difíceis de obter normalmente. O tubarão é um predador que quase não mastiga sua presa, por isso conseguimos pegar os animais quase inteiros dentro dele”, diz.

Vaske conta que chegava a passar 4 semanas em alto mar nos atuneiros. Essas embarcações pescam com uma estrutura chamada espinhel, uma espécie de rede com anzóis com dezenas de quilômetros estendida em alto mar para capturar principalmente atuns. “Os tubarões são valorizados por causa da fama das propriedades médicas de sua barbatana, os pescadores costumam descartar as vísceras dos animais, nós temos que pegar o material no local e conservá-lo”, diz.

Os tubarões azuis carregam no estômago segredos das profundezas do oceano. Com resistência a altas pressões e baixas temperaturas, eles podem nadar a 600 metros de profundidade. Espécie mais abundante no oceano, eles percorrem o litoral brasileiro para reproduzir e podem chegar até o sul da África para dar luz. Por isso, o estudo pode ajudar a entender melhor seus hábitos.

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Descarga de tubarões azuis em Santos. As caixas a direita da foto estão cheias das barbatanas dos tubarões (Arquivo pessoal)



 
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