17 de abril de 2012

Investimentos de R$ 480 milhões vão levar água de qualidade para dois milhões de baianos


Foto: Adenilson Nunes/SECOM
Construção de adutoras na Bahia

Construção de adutoras vai ampliar o abastecimento de água no interior da Bahia

Investimentos de R$ 480 milhões vão levar água de qualidade para dois milhões de baianos

Mais de dois milhões de baianos, que vivem em cidades do interior, serão abastecidos com água de qualidade, a partir de obras estruturantes que somam mais de R$ 480 milhões em investimentos e encontram-se em fase de conclusão. Dentre os grandes projetos que estão sendo executados pelo Governo do Estado, destacam-se a construção das adutoras do Feijão – ou do São Francisco -, para atender à região de Irecê, do Algodão, que vai abastecer a região de Guanambi, e a de Pedras Altas, no município de Capim Grosso, que levará água de qualidade para os municípios da região sisaleira.
Localidades como a de Alagadiço do Mocó, distrito de Campim Grosso, onde a água nunca chegou à torneira das casas, vão passar a ter água tratada. A água captada pela adutora, que está 70% concluída, na barragem de Pedras Altas, será levada para 12 sedes municipais e vários povoados da região, atendendo 300 mil pessoas.
A dona de casa e agricultora Matilde Barbosa, 68 anos, conta como é não ter abastecimento. “Vivemos assim, comprando o caminhão-pipa, colocando água na cisterna, apanhando no braço. A gente fala para trazer um carro, eles demoram até 15 dias para entregar a água, que é do rio”. Ela disse que, quando a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) chegar, a vida vai mudar. “Não vamos nos preocupar em comprar a água, às vezes nem tem o dinheiro. Como sabe que vai pagar por mês, já vai se preparando. É melhor”.
Adutora do São Francisco
Situação diferente, mas também incômoda, vive a população do município de Itaguaçu, na região de Irecê. A água chega às torneiras, mas é da fonte ‘Olho D’água’, sem uma boa qualidade. A aposentada Guiomar da Silva conta que conheceu a fonte quando era criança. “Eles não tratam a água, que é salobra, e o pessoal adoece, principalmente as crianças. E essa água, tem dia que não vem. Quem pode, compra mineral. Então, agora vai ser maravilhoso, porque vai cuidar de nossa saúde”.
A obra da adutora do São Francisco, com captação no Velho Chico, no trecho que banha o município de Xique-Xique, está prevista para ser concluída em julho deste ano e vai substituir a água salobra e sem tratamento que chega às torneiras de Itaguaçu por água tratada e de qualidade. Em toda a região de Irecê, mais de 350 mil pessoas serão beneficiadas.
Adutora do Algodão
Na região de Guanambi, a adutora do Algodão, que também captará água no Rio São Francisco, a 12 quilômetros de onde está sendo construída a estação de tratamento, vai beneficiar inicialmente 12 municípios, como Iuiu, Palmas de Monte Alto, Candiba, Vila de Mutãs (distrito de Guanambi) e a própria sede do município.
A distribuição da água será feita por 220 quilômetros de tubulações para cerca de 400 mil pessoas distribuídas entre os municípios servidos pela adutora. A previsão é que a população possa receber água tratada a partir de julho.
Segundo a comerciante Rosemary Rodrigues de Souza, da localidade de Julião, próxima à estação de tratamento, o abastecimento atual não é suficiente para o seu negócio. “Se eu trabalho à noite, no outro dia não tem água porque minha caixa é pequena. E também o tratamento não é lá essas bondades. Tem muito cloro na água, a água vem suja, barrenta, parece que não é tratada. Agora, eu espero que melhore, que venha uma água boa e tratada”.
Iniciativas fazem parte do Programa Água para Todos
A Embasa está investindo, de acordo com o presidente da empresa, Abelardo de Oliveira Filho, cerca de R$ 480 milhões para atender diversas regiões do estado. “Essas obras fazem parte do programa Água para Todos, criado pelo governador Jaques Wagner e que inspirou a nossa presidenta Dilma Rousseff a desenvolver um programa nacional com o mesmo nome e os mesmos princípios”. Oliveira afirmou que as obras não foram motivadas pela seca atual. “Algumas foram iniciadas em 2009 e estão em uma fase bastante avançada, com mais de 70% concluídas”.
Para o presidente da Embasa, essas obras estruturantes vão resolver definitivamente o problema de abastecimento de água dessas regiões. “Os mananciais praticamente se exauriram e em algumas delas, como é o caso de Irecê, onde a obra que está sendo realizada é gigantesca para resolver o problema da barragem de Mirorós, que está com cerca de 8% da sua capacidade. Tivemos que buscar água no Rio São Francisco, são 180 quilômetros de adutora, uma obra de R$ 178 milhões”.
Sobre a Adutora do Algodão, Oliveira disse que é importante porque as barragens de Ceraíma e do Poço do Magro estão com os níveis muito baixos. “Também tivemos que buscar água no Rio São Francisco, uma obra de R$ 100 milhões na região de Guanambi”.
Outra obra muito importante, segundo Abelardo Oliveira, é a adutora de Pedras Altas, que irá substituir a água da barragem de São José do Jacuípe. “Além de salobra, a barragem está muito baixa, o que torna a qualidade da água muito pior. É uma obra estruturante, onde estamos investindo cerca de R$ 60 milhões”. Ele também falou sobre a adutora que está sendo construída, com cerca de 70% de execução, na região de Senhor do Bonfim. “Com isso, fecharíamos essas grandes obras”.
Governo garantiu recursos para outras ações
O presidente da Embasa disse que há ainda diversas obras a serem iniciadas, com recursos já garantidos por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). “Tem a obra da região norte de Feira de Santana, com invesimento de R$ 48 milhões, do sistema integrado de Santo Estêvão, com mais R$ 28 milhões, e do sistema integrado de Amélia Rodrigues, onde serão investidos mais R$ 22 milhões, além de obras em Andorinhas, com mais R$ 22 milhões”.
Abelardo informou ainda que o Estado está investindo cerca de R$ 172 milhões em pequenas obras emergenciais, para resolver momentaneamente a questão da grande estiagem que afeta a Bahia, em especial o semiárido baiano. Ele conclamou a população para ajudar na solução do problema.
“Neste momento, é preciso contar com a participação ativa da população na proteção dos mananciais, no uso racional da água, na luta contra o desperdício. Quero fazer um apelo à população para usar a água de forma racional, principalmente naqueles locais onde há uma grande dificuldade de mananciais”.

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