12 de maio de 2012

Desmatamento no Cerrado e consequências

Desmatamento no Cerrado e consequências


Washington Novaes, jornalista, é supervisor geral do Repórter Eco.
Segundo o Ministério, o desmatamento no Cerrado já está em torno de 50 por cento. E essa remoção da vegetação tem várias conseqüências muito graves. Como a erosão do solo, o ressecamento. E a menor penetração de água nos lençóis subterrâneos. Há uns oito anos, técnicos do próprio ministério diziam que no subsolo do Cerrado havia um estoque de água suficiente para fornecê-la para as três grandes bacias hidrográficas brasileiras, que do Cerrado recebem 14 por cento de suas águas.
Hoje esse estoque de água está reduzido para três anos. E uma seca mais prolongada pode ter conseqüências ainda mais graves. Por isso, o desmatamento do Cerrado pode ter conseqüências graves para a própria agricultura e a pecuária. Sem falar na perda da biodiversidade do Cerrado, que significa um terço da biodiversidade brasileira, 5 por cento da planetária.
Questões como essa tornam muito importante também a decisão dos nove governadores dos Estados da Amazônia brasileira, que querem chegar à Conferência Rio + 20 com um compromisso de desmatamento zero em seus territórios . Também ali o desmatamento, além de desnecessário, é grave. E o projeto de assegurar financiamentos para recuperar áreas degradadas é muito importante.
Biodiversidade, clima, recursos hídricos, serão os temas mais importantes deste século. É preciso avançar em nossas posições.
Washington Novaes, jornalista, é supervisor geral do Repórter Eco. Foi consultor do primeiro relatório nacional sobre biodiversidade. Participou das discussões para a Agenda 21 brasileira. Dirigiu vários documentários, entre eles a série famosa "Xingu" e, mais recentemente, "Primeiro Mundo é Aqui", que destaca a importância dos corredores ecológicos no Brasil.


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