22 de fevereiro de 2013

Um estranho caso do coco-da-Bahia (Cocos nucifera L.)

Por Luiz Armando de Araújo Góes-Neto *
* Biólogo. Mestrando em Botânica Tropical - Museu Paraense Emílio Goeldi – MCT, Campus de Pesquisa, Coordenação de Botânica. Av. Perimetral 1901, Terra Firme, Belém-PA. CEP: 66017-970. E-mail: netto_marley@hotmail.com .


As palmeiras pertencem à família Arecaceae (ordem Arecales) e são vegetais de extrema importância na vida dos seres humanos desde as mais antigas civilizações. Purseglove (1972) comenta que “a ampla multiplicidade de sua utilização econômica colocam-na em segundo lugar dentre as plantas úteis, perdendo apenas para as gramíneas”.
Figura 1: Coco-da-Bahia (Cocos nucifera L.) bifurcado, ilha de Boipeba, Cairú, Bahia. Foto: Luciano R. A. Souto.


Realmente sua importância econômica é enorme até os dias de hoje. Algumas comunidades ribeirinhas amazônicas, por exemplo, sobrevivem exclusivamente do plantio e aproveitamento de palmeiras como o açaizeiro (Euterpe oleracea Mart.). Além desta, encontramos outras espécies muito utilizadas, como o dendê africano (Elaeis guineensisJacq.), o babaçu (Attalea brasiliensis Glassman), a piaçava (Attalea funifera Mart. ex Spreng.), a pupunha (Bactris acanthocarpa Mart.), dentre outras.
De acordo com Lorenzi et al. (2004), a origem da palavra palma é remota. Segundo estes autores, os povos itálicos aplicavam-na à tamareira (Phoenix dactylifera L.) da África Mediterrânea e do Oriente Médio; os gregos chamavam-na de fóinix palavra de origem fenícia. Esta palavra por influência árabe e aramaica foi aplicada à antiga cidade turca Palmira, com o significado de “cidade onde haviam palmas”.

Apesar de serem amplamente distribuídas por todo o mundo desde 44o N a 44o S de latitude, do nível do mar até 4.000 m de altitude e de florestas tropicais a áreas desérticas, as palmeiras simbolizam popularmente a paisagem tropical (Jones, 1995). Isto se deve ao fato de ocorrerem principalmente nos trópicos e sub-trópicos, sendo especialmente diversas na Amazônia e Malásia e pouco representadas na África, com exceção da ilha de Madagascar que conta com dois gêneros e um grande número de espécies (Uhl & Dransfield, 1999; Lorenzi et al. 2004). Diversos gêneros de palmeiras apresentam ocorrência restrita a pequenas áreas, indicando habilidade de ocupação de nichos específicos (Jones, 1995). Sua aparência diferenciada e simples arquitetura promovem, de modo geral, o seu fácil reconhecimento.
Por sua beleza, porte e distinção, estes vegetais são reconhecidas como “príncipes” entre as plantas e foram assim inicialmente denominadas por Linnaeus.
Esta família está representada por 190 gêneros e cerca de 2.600 espécies, com os seus registros fósseis mais antigos datados do final do Cretáceo, podendo, porém, ter existido antes deste período (Jones, 1995). No Brasil estão representadas por 208 espécies nativas e 175 espécies exóticas (Lorenzi et al. 2004).
Dentre as espécies de palmeiras encontramos o coco-da-bahia (Cocos nucifera L.), sendo esta, sem dúvida, a de maior importância econômica em todo o mundo. É notável o número de produtos obtidos da industrialização do fruto, como copra, óleo, ácido láurico, leite de coco, farinha, água de coco, fibra e ração animal (Lins et al. 2004). Estas monocotiledôneas (Liliopsida) caracterizam-se principalmente pelo caule simples (podendo chegar a 20 m de altura); folhas com pinas regularmente distribuídas e inseridas no mesmo plano; inflorescências andróginas; frutos ovóides do tipo drupa, com epicarpo delgado, mesocarpo fibroso e seco e endocarpo muito rígido portando três orifícios germinativos, endosperma líquido que na maturidade endurece e possui a função de nutrir o embrião. Esta apresenta ampla distribuição no território nacional, principalmente na costa litorânea nordestina.


A origem do coco ainda é controversa, havendo basicamente quatro vertentes teóricas principais. Esta divergência dá-se principalmente, pelo fato da distribuição geográfica desta espécie ser muito ampla, já que a fácil flutuabilidade do fruto e a interferência do homem na sua dispersão, dificultam o real entendimento do seu ponto de origem.

Figura 2: Coco-da-Bahia (Cocos nucifera L.) bifurcado, ilha de Boipeba, Cairú, Bahia.  Foto: Luciano R. Alardo Souto.












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