26 de novembro de 2012

Tamar quer desvendar comportamento migratório de fillhotes de tartaruga

Brasília (22/11/2012) – Desvendar o comportamento migratório de tartarugas marinhas em estágio inicial de vida é o objetivo de uma das pesquisas em andamento no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação das Tartarugas Marinhas (Tamar), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Realizado em parceria com a Universidade Atlântica da Flórida (EUA) e sob a coordenação da pesquisadora Kate Mansfield, o estudo investiga os primeiros momentos de vida das tartarugas marinhas em águas oceânicas, período que os pesquisadores denominam “anos perdidos” (lost years).

Apesar de décadas de estudo, pouco se sabe sobre o que acontece com a maioria das espécies de tartarugas marinhas durante esse tempo. Saber para onde os filhotes vão e poder identificar as áreas de berçário e uso de habitat é necessário e fundamental para conservação e manejo dessas espécies.
Três tartarugas monitoradas

Três tartaruguinhas cabeçudas (Caretta caretta) já foram soltas com transmissores adaptados para monitorar seu deslocamento e, até agora, os pesquisadores puderam observar um comportamento ativo e rumo ao sul. Os filhotes foram preparados e alimentados durante oito meses para que ganhassem mais peso e aumentassem de tamanho, o suficiente para carregar o equipamento sem prejuízos para sua movimentação natural. Minitransmissores por satélite (comumente usados em aves) foram levemente modificados e colocados nas tartarugas.

A equipe e a pesquisadora americana saíram para o mar no dia 8 de novembro, soltando o primeiro indivíduo a 11 quilômetros da costa, na Praia do Forte (BA), juntamente com dois drifters, ou derivadores, aparelhos com GPS para obter dados sobre as correntes marítimas e acompanhar sua direção a partir do local da soltura da tartaruguinha. No dia 11 de novembro,  as outras duas tartaruguinhas foram soltas a 10 quilômetros da costa, com mais dois drifters para monitorar as correntes.
Mais duas solturas

De acordo com a coordenadora nacional de conservação e pesquisa da Fundação Pró-Tamar, Neca Marcovaldi, os transmissores podem ficar no máximo seis meses em funcionamento, depois se soltam sozinhos. Serão realizadas mais duas solturas de tartaruguinhas com transmissores em dois momentos diferentes ao longo da temporada 2012-13 (fevereiro e março), para coincidir com mudanças de correntes na costa. “Com a pesquisa poderemos verificar se as tartaruguinhas seguem o mesmo padrão das correntes predominantes em meses diferentes e comparar com rotas estudadas das fêmeas adultas”, prevê Neca.

Os pesquisadores já puderam observar que as tartarugas foram no sentido sul, uma delas está acompanhando o talude (quebra da plataforma), nadando paralelamente à costa. As outras duas estão indo para sul também, saindo para águas oceânicas, com profundidades maiores que 2.500 metros. Elas têm apresentado autonomia em relação à direção das correntes, nadando ativamente, a favor, mas não ficando a mercê delas, conseguindo se afastar da costa.

Comunicação ICMBio
(61) 3341-9280

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