24 de janeiro de 2013

Pesquisas nos EUA deixarão de usar chimpanzés


Os Institutos Nacionais de Saúde americanos (NIH) informaram que praticamente não usarão mais chimpanzés na pesquisa biomédica, e consideraram que seu uso "não é necessário" na maioria dos casos, acatando as recomendações do Instituto de Medicina (IOM).
Os NIH, agências de pesquisas médicas do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, "informam à comunidade científica que acatam as recomendações do IOM e que como consequência não financiarão mais nenhum novo projeto de pesquisas que utilize chimpanzés", indicaram em um documento publicado em seu site na internet.
Os institutos preparam, ao mesmo tempo, instruções para pôr em andamento as recomendações do IOM - organização pertencente à Academia Nacional de Ciências que aconselha o governo e o público na área de medicina - emitidas em dezembro de 2011.
Os especialistas independentes consultados pelo IOM tinham concluído que a maioria das experiências científicas realizadas com chimpanzés não era indispensáveis e deveriam ser estritamente limitadas.
Os NIH revisarão também todas as pesquisas em curso que estejam usando chimpanzés, que são a menor parte. Dos 94.000 projetos de pesquisa financiados em 2011 pelos institutos, só 53 foram feitos com estes primatas.
Os Estados Unidos são o único país industrializado a usar primatas em pesquisas científicas, especialmente nos estudos relacionados com a hepatite C, a Aids e a malária.
Em 2010, a União Europeia proibiu formalmente a utilização de macacos em laboratórios, seguindo assim o exemplo de Japão, Austrália e outros países.
Após o clamor de protesto provocado nas organizações de proteção de animais pela transferência, em 2010, de 14 chimpanzés "aposentados" que foram enviados a um laboratório de pesquisas no Texas, os NIH aceitaram atender às conclusões dos especialistas consultados pelo Instituto de Medicina sobre a utilidade destas pesquisas com macacos.
"Se no passado os chimpanzés foram muito úteis na pesquisa médica, seu uso hoje em dia não é necessário na maioria das pesquisas médicas", concluíram.
Os especialistas avaliam, no entanto, que em certos domínios ainda poderia ser indispensável recorrer aos chimpanzés, como é o caso da comparação do genoma destes macacos com o dos humanos ou das doenças infecciosas emergentes.
No entanto, não se chegou a um consenso sobre a necessidade ou não da participação de chimpanzés na pesquisa para o desenvolvimento de uma vacina contra a hepatite C, revelaram os NIH.
Em 2011 ainda havia 937 chimpanzés utilizados em pesquisas nos Estados Unidos, 450 dos quais estavam em programas financiados pelos NIH, enquanto outros recebiam recursos de laboratórios privados.


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