19 de fevereiro de 2015

Pinturas rupestres em sítio arqueológico de São Desidério são riscadas por visitantes

Pinturas rupestres em sítio arqueológico de São Desidério são riscadas por visitantes

TEXTO DE Bruna Castelo Branco / BAHIA NOTICIAS
Pinturas rupestres em sítio arqueológico de São Desidério são riscadas por visitantes
Foto: Eduardo Andrade / Leitor BN
 
Expressões como “Vida Loka”, corações e nomes cobrem as pinturas rupestres de um sítio arqueológico em São Desidério, na região da Bacia de Rio Grande. O sítio é localizado em uma propriedade privada e para fazer visitas é preciso pagar R$ 5,00. Os estragos foram feito pelos próprios visitantes. Não há seguranças nem vigias para guardar o local e não é obrigatória a entrada com guias turísticos. Eduardo Andrade visitou o local e fez a denúncia sobre a degradação do sítio ao Bahia Notícias. “É um local muito bonito, mas infelizmente está mal preservado”, disse. “Mesmo com a cobrança de entrada, nem sempre há vigília. Fui lá, entrei e saí e ninguém cobrou”, contou Andrade. Segundo ele, o turismo também não é muito bem explorado: “não há estrutura turística”.
 

"Não levamos mais turistas porque o sítio está abandonado, então evitamos", diz Juscelino Ferreira / Foto: Eduardo Andrade / Leitor BN
 
Juscelino Ferreira, dono de uma empresa que explora ecoturismo na região, a Bioma, declarou que o local está tão mal preservado que ele optou por não levar mais turistas para fazer conhecer o sítio. “Não levamos mais turistas porque o sítio está abandonado, então evitamos. Quando alguém insiste muito em fazer a visita, levamos, mas acabamos ficando constrangidos”, afirmou. Ainda de acordo com Juscelino, ele e alguns conselheiros ambientais da região tentaram entrar em contato com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), departamento ligado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para discutir o caso, mas não obtiveram resposta. “Já falamos com a Secretaria de Meio Ambiente, mas isso é responsabilidade do Iphan”. Ferreira acredita que, pelo sítio estar localizado em uma propriedade privada, “não há muito interesse”.
 

A legislação brasileira prevê multas para quem danifica o patrimônio rupestre / Foto: Eduardo Andrade / Leitor BN
 
Para ele, o ideal é que o sítio arqueológico fosse tombado e virasse um museu a céu aberto. “Mas eu imagino que se o Ipac não conseguisse tombar ou desapropriar a área, poderia fazer uma parceria para evitar a degradação”, opinou Ferreira. A legislação brasileira prevê multas para quem danifica o patrimônio rupestre. Para que o Ipac tombe alguma área, é necessário que um solicitante envie um ofício, com imagens ou documentos anexos, com o pedido. Caso o instituto considere os documentos pertinentes, um arquiteto, arqueólogo ou historiador é enviado, junto a um fotógrafo, para o local indicado e faz uma avaliação. A legislação brasileira prevê multa – em cruzeiros – para quem danifica os “monumentos arqueológicos ou pré-históricos”.
 

"O Ipac poderia fazer uma parceria para evitar a degradação", opinou Ferreira / Foto: Eduardo Andrade / Leitor BN
 
Há sítios arqueológicos espalhados em mais de 50 municípios baianos, entre eles Morro do Chapéu, que agrupa 40 áreas rupestres, Lençóis, Palmeiras, Iraquara e Wagner. Essas cidades já iniciaram projetos de educação e sensibilização da população local para evitar a degradação do patrimônio e discutir atividades relacionadas aos sítios. Essa não foi a primeira degradação a patrimônios pré-históricos acontecida na Bahia em 2015. Em janeiro deste mês, o Bahia Notícias denunciou a danificação de um sítio arqueológico por uma mineradora em Morro do Chapéu.
 
http://www.bahianoticias.com.br/municipios/noticia/829-pinturas-rupestres-em-sitio-arqueologico-de-sao-desiderio-sao-riscadas-por-visitantes.html

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