17 de agosto de 2012

Pesquisadores destacam necessidade de produção sustentável no Cerrado

Pesquisadores da área de meio ambiente reafirmaram, no dia 08/08/12, a importância de uma produção sustentável no bioma Cerrado. A constatação foi feita durante audiência pública, promovida pela Comissão Mista sobre Mudanças Climáticas, para debater as ações relativas às mudanças do clima no Cerrado.
O representante da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Emprapa) e doutor em agrometeorologia, Balbino Antônio Evangelista, disse que o Cerrado ocupa ¼ do território nacional e por isso precisa de um monitoramento contínuo.
Antônio Evangelista assinalou que o bioma se destaca na pecuária nacional, além de ser um importante produtor de soja, algodão, milho, arroz. Ele afirmou que o desafio da Embrapa é “produzir de forma equilibrada minimizando emissão de gases de efeito estufa e aumentando a fertilidade do solo”.
Ele acrescentou que “meio ambiente, economia e sustentabilidade devem estar sempre em equilíbrio”.
Evangelista alertou para os impactos que a mudança climática, com aumento da temperatura média global, pode causar ao Brasil. Entre eles, a intensificação das chuvas, o aumento do nível do mar, a substituição gradual da vegetação da floresta Amazônica e o aumento da aridez no Nordeste.
Monitoramento do estoque de carbono
Entre os estudos feitos pela Embrapa em busca do desenvolvimento sustentável da região, o pesquisador destacou os que tratam do monitoramento do estoque de carbono no solo do Cerrado e da identificação das características das plantas mais resistentes à seca visando transferir mecanismos delas para outras espécies.
Ele destacou a importância do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, o Plano ABC, que tem como objetivo incentivar processos tecnológicos que neutralizam ou minimizam os efeitos dos gases de efeito estufa no campo. O programa prevê ações de recuperação de pastos degradados, tratamento de resíduos animais e fixação do nitrogênio no solo, o que, de acordo com Evangelista, reduz o custo de produção e melhora a fertilidade do solo.
Queimadas e incêndios florestais
O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Brandão Cavalcanti, afirmou que as queimadas e incêndios florestais no Cerrado baixam a fertilidade do solo e devem ser controlados. Ele explicou que a maioria dos incêndios é resultado de processos involuntários. “Os focos concentram-se nos meses secos e a pior queimada ocorre na véspera da primeira chuva”, disse.
O representante do Ministério do Meio Ambiente destacou a existência do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado, o PP Cerrado, que conta com a participação de 16 ministérios.
Cavalcanti disse que o plano estabelece a redução de emissões, favorece a agricultura consolidada e a conservação. O pesquisador sublinhou também que as queimadas no Cerrado emitem 232 milhões de toneladas de CO² por ano, efeito que pode ser equiparado às queimadas da Amazônia. “Os resultados esperados são esses: promover a redução da taxa de desmatamentos e queimadas e ajudar nos compromissos que o Brasil assumiu nacionalmente de diminuir as emissões em 40% até 2020”, explicou.
O secretário destacou também a necessidade de se ampliar as unidades de conservação ambiental, mas ressaltou que para isso é preciso envolver todos os setores da sociedade. Ele acredita que, atualmente, existe uma baixa quantidade e representatividade das unidades de conservação.
Comunidades tradicionais
Isabel Figueiredo, Assessora Técnica do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), entidade filiada à Rede Cerrado, ressaltou que é preciso desenvolver também estratégias claras de conservação para as comunidades tradicionais, que são aquelas que estão fora das unidades de conservação e de áreas de proprietários agrícolas de grande escala.
Ela explicou que essas comunidades têm interesse em controlar as queimadas, mas não estão capacitadas para isso. Isabel Figueiredo disse que seria interessante a instalação de brigadas em cada comunidade ou assentamento. “Eles não têm os equipamentos, não sabem o que é um abafador, o que é um pinga fogo e precisam aprender”, afirmou.
Da Redação/ RCA
Com informações da Agência Senado.

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